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Brexit

Referendo da União Europeia: Entendendo o Impacto sobre sua Empresa

 

O impacto produzido pela decisão do povo do Reino Unido de sair da União Europeia levará tempo para ser apurado, tendo em vista que a saída será negociada ao longo dos próximos dois anos.  À medida que prosseguir por esse período de incerteza – e oportunidade – poderá contar conosco como fonte de informação, perspectiva e soluções viáveis durante todo o processo da saída do RU.  

Há muitas coisas que devem ser pensadas em razão do referido plebiscito. Por exemplo, o que isso significa para os mercados de capitais? O que isso significa em relação ao comércio e tarifas? Existem ainda implicações quanto à liberdade de movimento, e liberdade de mercadorias e serviços.   

Reunimos todas as competências da Aon para abordar as necessidades únicas de suas atividades durante esse período de mudanças. 

Impacto sobre suas Estratégias de Risco, Aposentadoria, Saúde e Talentos  

Nesta página encontrará subsídios que o ajudarão a entender as implicações da saída do RU. Seguem abaixo as nossas considerações relativas ao impacto sobre suas estratégias de Risco, Aposentadoria, Saúde e Talentos. 

RISCOS

Riscos e o Brexit: Após a decisão do RU de sair da União Europeia (UE), no dia 23 de junho, as empresas estão se esforçando por entender se/como suas relações com a indústria de res(seguros) do Reino Unido e do resto da Europa precisam evoluir. 

No futuro imediato, a indústria tentará responder às ramificações finais da saída do RU do mercado único, contudo, nada acontecerá de um dia para o outro. O Artigo 50 – o mecanismo pelo qual o RU se afastará da UE – não foi ainda acionado, e a saída do Reino Unido da UE pode levar até dois anos, ou seja, o período previsto, após o início do processo. 

Entretanto, para as organizações é importante que iniciem o processo de análise e, na medida do possível, deem início ao processo de planejamento de adaptação a vários cenários do Brexit.

Os clientes devem antes de qualquer outra coisa considerar o seu modelo comercial e operacional, sendo que as decisões de seguros fluirão de tais determinações e objetivos. Contudo, identificamos três questões- chave relacionadas aos riscos que devem ser avaliadas:

Perfil de risco: como no caso de quaisquer acontecimentos comerciais ou políticos, é importante que os compradores corporativos aproveitem este momento para trabalhar com seus consultores de riscos no sentido de reavaliarem o seu perfil de risco.  Devem priorizar as áreas onde perceberem que impacto será maior para suas atividades após o Brexit, e se assegurar que estão estruturados para proporcionar resiliência e crescimento futuro, com responsabilidades claras de parceiros. Para todos os efeitos, no curto prazo, não esperamos muitos, ou nenhuns, impactos relevantes no perfil de risco de nossos clientes. À medida que as implicações da saída do RU da UE ficarem mais claras do ponto de vista de exposição, cada organização deverá avaliar como o novo contexto político e regulatório impacta a sua organização (e.g., risco de cadeia de fornecimento, maior exposição de diretores e administradores, risco de crédito comercial e risco político etc.).  

Nesse momento, as organizações precisam determinar se ou como as suas estratégias de mitigação de riscos podem ser estruturadas ou modificadas para transferir o volume de risco que gostariam de eliminar de seu balancete. É cada vez mais importante que as organizações compreendam as agregações das seguradoras e determinem de modo ponderado como alocar suas exposições em todo o mundo.

Temos monitorado as implicações financeiras para os grupos de seguradoras em áreas como a exposição a flutuações significativas nos mercados de ações, e concluímos que atualmente não existe risco financeiro significativo para a indústria em geral.   

A posição única da Aon no mercado proporciona aos seus clientes acesso ao mercado global, e os benefícios resultantes de seu investimento sem igual em dados e analítica, que contribuem para impulsionar a inovação do mercado, e para atender as necessidades em evolução e as necessidades emergentes decorrentes dos riscos de nossos clientes.

Resposta do programa de seguros: Algumas organizações expressaram preocupação quanto ao impacto sobre os limites das apólices de uma possível depreciação da libra esterlina. As apólices são comercializadas nas moedas locais, sendo que o possível impacto de tal ocorrência está limitado aos clientes que possuem apólices emitidas no RU.  Dito isto, o cenário é complexo, e deverá ser feita uma análise da exposição básica relativa à moeda das apólices, bem como das respectivas disposições ou cláusulas que especificam o encargo da responsabilidade. Os clientes são incentivados a contatar o seu corretor Aon com referência a quaisquer dúvidas específicas sobre o seu programa de seguros e perfil de risco.       

Prevemos que o processo de aquisição ficará cada vez mais complexo, sendo que a Aon e seus parceiros do mercado encontram-se bem preparados para lidar com tais evoluções de modo a obter a cobertura desejada e o grau de conformidade necessário para programas globais de seguro.    

Relações de mercado existentes: As seguradoras do RU estão profundamente envolvidas com a subscrição de riscos complexos.  Existem alguns receios de que quando o RU sair da UE possa ocorrer deterioração no nível de serviço anteriormente prestado em relação a tais programas. Algumas seguradoras já informaram que poderão remanejar pessoal para outros locais da UE.    

Os seguros são uma indústria global, e nós não temos apreensões imediatas quanto ao mercado como ele hoje se encontra. Muitas das seguradoras que atuam em Londres possuem operações em outras partes do mundo. Tendo em vista a localização central de Londres e o longo histórico do mercado de seguros londrino, esperamos que as seguradoras avaliem criteriosamente quaisquer mudanças de mercado, e acabem por apoiar o mercado londrino no futuro.     

Sendo uma empresa global com uma rede ímpar, a Aon está bem posicionada para enfrentar as mudanças que possam ocorrer, e está ajudando seus clientes a lidar de forma proativa com os desafios e oportunidades ligadas às alterações do mercado na Europa.    

O processo de saída está previsto para levar até dois anos a partir da data em que o Artigo 50 seja acionado, e desaconselhamos que as organizações reajam muito prematuramente a acontecimentos que não tenham um impacto imediato sobre suas relações e programas. A Aon continua profundamente dedicada e comprometida com o mercado do RU e todos os mercados que hoje atende, na Europa e em todo o mundo.  

Recursos Adicionais:

·  Riscos-Chave do Mercado de Capitais e Riscos Comerciais : Quatro coisas que um plebiscito Brexit pode significar para as Empresas: 

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APOSENTADORIAS

Impacto sobre as Pensões: O impacto do Brexit foi sentido imediatamente tanto nos mercados de capitais como nos mercados cambiais, tendo resultado em considerável volatilidade ao redor do mundo. Os fundos de pensão foram afetados por aumento dos passivos e redução dos ativos. Globalmente, o impacto foi provavelmente superior a $200 bilhões. Prevemos que nos próximos anos haverá uma volatilidade consideravelmente maior, e lucros menores.  Além dos recursos para os fundos, o novo contexto regulatório no RU, e a possibilidade de uma desintegração mais ampla da EU geram incerteza em relação aos planos de pensão em toda a Europa.         

Tais tendências poderão ter um impacto significativo sobre os três principais grupos de interessados em planos de pensão - Administradores, Patrocinadores dos Planos e Indivíduos.

Administradores: No RU, a governança dos fundos de pensão é realizada por grupos de administradores independentes, que precisam entender rapidamente a exposição ao risco tanto do plano como do patrocinador. Temos visto muitos administradores atualizarem as últimas posições de financiamento de fundos, e os modelos de risco. Considerando as notórias insolvências ocorridas recentemente, tais como a da British Home Stores, cujos administradores foram criticados por não terem agido quando podiam, existe a possibilidade de vermos administradores tomando uma posição mais agressiva quanto à solicitação de contribuições.

Existem algumas questões imediatas que os administradores devem considerar, inclusive as condições que oferecem aos participantes que resgatam seus planos de pensão. Devem ainda considerar a gestão do risco de passivos ou mesmo operações de transferência de risco.

Patrocinadores de Planos: Quer no RU ou em outro local, as empresas precisam entender a posição financeira dos planos de pensão e a exposição ao risco. O risco de ter que pagar contribuições mais elevadas deve ser incluído no planejamento financeiro em razão do Brexit. Além do impacto no fluxo de caixa de empresas do setor financeiro, a posição do capital regulatório será importante e poderá afetar diretamente a capacidade operacional das empresas.

Tendo em vista o déficit e posição de risco, poderá ser apropriado mitigar riscos de forma a se proteger de possíveis pontos negativos.  As empresas que cogitarem uma aquisição devem examinar com muito cuidado as disposições relativas a pensões. Devem ainda estar cientes da possibilidade de interferência regulatória que poderá impactar as estruturas de financiamento e benefícios.  

Indivíduos: As preocupações dos indivíduos estarão provavelmente concentradas nos efeitos que uma recessão poderá ter sobre seus empregos e finanças pessoais.   

Quanto aos indivíduos que estão ainda longe da aposentadoria, devemos ajudá-los a ficar calmos. Os que se encontrarem mais próximos da aposentadoria poderão ter que reavaliar suas expectativas quanto à sua aposentadoria. Por exemplo, alguém que se aposente uma semana após o referendo da UE, poderá esperar que a renda de sua aposentadoria para o resto de sua vida seja 10% inferior ao que havia previsto. De modo geral, os indivíduos devem avaliar a sua situação pessoal, e analisar o seu nível de contribuição, estratégia de investimento, e data de aposentadoria.    

Recursos Adicionais

Contate um especialista da Aon ·  O RU decide sair da UE : Questões relacionadas a Pensões.        

 

SAÚDE

As implicações do Brexit no sistema de saúde: A decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia gerou um grande nível de incerteza em toda a Europa e ao redor do mundo. E apesar de as implicações exatas serem desconhecidas neste momento, há muita especulação quanto ao impacto dessa decisão sobre tudo, desde os mercados de capitais ao panorama político e imigração.  

Da mesma forma, possíveis cenários que poderão surgir no sistema de saúde do RU também estão sendo debatidos, especialmente tendo em vista que muitos dos que defenderam a causa do "Brexit" afirmaram que recursos poderiam ser redirecionados da UE e investidos no Serviço Nacional de Saúde (NHS). Contudo, tal afirmação foi rapidamente desmentida após o referendo, fazendo com que muitos questionassem as reais implicações do Brexit no serviço de saúde.   

Impacto nos empregadores e consumidores: Antes do referendo, o serviço nacional de saúde (NHS) enfrentava uma falta de mão-de-obra da ordem de 116.000 funcionários até 2020. Tradicionalmente, o RU tem tentando suprir essa diferença recrutando pessoal de outros países da UE, uma estratégia que se tornará significativamente mais desafiadora caso ocorra o Brexit.  O NHS também havia planejado ganhar £22 bilhões em economias de eficiência nos próximos anos, através de enfoque em modelos de assistência primários e de longo prazo.  Contudo, a falta de mão-de-obra especializada torna tal transição muito difícil.   

Em resultado do déficit de financiamento e falta de mão-de-obra, a Unidade de Inteligência Econômica prevê que até 2020, o gasto per capita do NHS será reduzido em £135 por pessoa, o que afetará o acesso a assistência de alta qualidade. 

O impacto do Brexit sobre o NHS também terá implicações para os empregadores. Muitos indivíduos ficarão frustrados com o sistema público de saúde, e recorrerão ao seu empregador para apoio, gerando demanda por seguro privado de saúde, o que por sua vez afetará os orçamentos dos empregadores.      

Além disso, a desaceleração prevista para a economia do RU e força de trabalho poderá resultar em menor demanda por determinados produtos de saúde e benefícios. Isso deverá gerar um desafio significativo na fixação de preços, visto as taxas atuais das seguradoras terem por base o número de adesões, e a alteração de tal número pode resultar na revisão de taxas. Essa dinâmica, em conjunto com um aumento acentuado de reclamações, que está tipicamente relacionado a recessões econômicas, aumentaria ainda mais os custos da assistência médica.    

Impacto nas seguradoras: Existe muita especulação sobre as taxas de juros do RU fixadas pelo Banco da Inglaterra, e se as mesmas irão ou não cair abaixo do atual patamar de 0,5 por cento.  Qualquer redução nas taxas de juros poderá afetar negativamente os custos dos benefícios do seguro saúde, tendo em vista que as seguradoras reagem incorporando menores rendimentos de investimento nos seus modelos de fixação de preços.  

Outra implicação para as seguradoras é o fato de que anteriormente as seguradoras sediadas no RU podiam operar em toda a Europa, em razão de mecanismos de passaporte. A menos que a permanência dos mecanismos de passaporte seja aprovada nas negociações pós-saída, será muito difícil que os seguros sejam oferecidos em toda a UE.   

Impacto sobre inovação e qualidade: O mercado de saúde do RU atualmente beneficia de investimentos da Comissão Europeia de valor superior a €5 bilhões, desde 2007. Estando fora da UE, o RU perderia a possibilidade de beneficiar de tais investimentos.  

Além disso, as empresas que tencionam realizar ensaios clínicos para novos medicamentos na UE podem desenvolver estudos com vários países registrando-se numa única base de dados de ensaios clínicos da UE. No contexto pós-Brexit, as empresas do RU que tencionem realizar ensaios clínicos com vários países, deverão fazer solicitação individual a cada um dos países, o que resultará em significativos custos e carga administrativa. 

Finalmente, no futuro a coordenação entre o RU e a UE para lidar com pandemias, assim como outras ameaças à saúde, poderá apresentar desafios, visto que o RU teria de coordenar individualmente com os países da UE. Apesar de eventualmente ser possível implementar estruturas para a criação de um mecanismo de coordenação conjunta UE-RU, tal processo poderia levar alguns anos.  


Recursos Adicionais:

· Considerações sobre Benefícios para Funcionários-Chave: Um tamanho já não serve para todos .

 

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TALENTOS

Livre movimentação da mão-de-obra: A campanha do Leave sugeriu várias vezes que não haverá impacto para os cidadãos da UE que atualmente trabalham e residem no RU. Contudo, tal também depende de como a UE vier a tratar os cidadãos do RU que atualmente trabalham e residem nos estados membros da UE. Como a justificativa legal para que cidadãos da UE possam trabalhar no RU deixará de existir a partir da data da saída, os empregadores devem monitorar cuidadosamente as negociações da saída do RU em relação a como os atuais trabalhadores da UE serão tratados. Entretanto, as empresas deverão cuidar da cidadania e residência de seu pessoal, e considerar incentivar os colaboradores-chave a pedirem residência permanente ou cidadania para proteger o seu status. O recrutamento de cidadãos da UE e a facilidade de movimentação de atuais funcionários para escritórios da UE provavelmente serão afetados negativamente, num prazo mais longo.   

Movimentos do mercado: Apesar de se esperar que a volatilidade do mercado estabilize ao longo do tempo, as empresas devem levar em consideração o impacto da queda dos preços de ações, e de flutuações cambiais. O impacto da movimentação dos preços de ações sobre os valores de retenções, as condições do desempenho de planos de incentivos de longo prazo, exigências de participações acionárias de executivos, planos de ações de todos os funcionários, e limites de diluição de participações acionárias devem todos ser avaliados. Uma libra esterlina mais fraca e o impacto sobre os demonstrativos financeiros de empresas internacionais, os pools de bônus e bônus individuais deverão ser cuidadosamente modelados.

Incerteza para Funcionários: Não obstante o fato de que haverá um longo período de incerteza, as empresas deverão tranquilizar os funcionários explicando os possíveis cenários e o impacto sobre as atividades. Para fazer isso de forma plausível, as empresas deverão realizar uma avaliação do impacto sobre talentos, e confirmar que as questões mais amplas relativas a talentos foram identificadas e avaliadas.  

Legislação do Trabalho: Apesar de grandes mudanças serem improváveis, o governo do RU poderá aproveitar a ocasião para corrigir certos aspectos de alguma legislação do trabalho com fundamentos da UE. Eventuais alterações provavelmente terão o objetivo de proporcionar maior flexibilidade aos empregadores, e poderão incluir os Regulamentos sobre Tempos de Trabalho e os Regulamentos sobre Transferência de Empresas (Proteção do Emprego). Alterações exigem ajustes às politicas e práticas de empresas do RU. 

Regulamentos sobre remuneração de serviços financeiros: Os regulamentos de remuneração da UE são implementados nos estados-membros através de legislação nacional. Tal significa que mesmo após deixar a UE, todos os regulamentos atualmente implementados (como a Diretiva IV relativa aos requisitos de fundos próprios, organismos de investimentos coletivos em valores mobiliários transferíveis V, e Diretiva de gestores de fundos de investimento alternativos) permanecerão em vigor até serem alterados por legislação do RU. Os legisladores do RU confirmaram ainda que as empresas devem prosseguir com seus planos de implementação no tocante a legislação que ainda não entrou em vigor. Deve-se ainda ter em mente que em várias áreas os requisitos do RU vão além do que é exigido pela UE. Em resumo, alterações significativas nas exigências de remuneração são improváveis no curto prazo.  Uma área com potencial de alteração é o possível abandono do limite para bônus, uma exigência que não é favorecida pelo legislador do RU, apesar de tal provavelmente vir a ser um ponto de negociação quando o RU tentar manter o seu acesso ao mercado da UE após sua saída.   

Recursos Adicionais

·  O RU decide sair da UE Implicações para a área de RH, Gestão e Recompensa de Talentos.
Contate um especialista da Aon          


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