Cenário de risco da América Latina: transformando complexidade em vantagem competitiva

Cenário de risco da América Latina: transformando complexidade em vantagem competitiva
March 25, 2026 14 mins

Cenário de risco da América Latina: transformando complexidade em vantagem competitiva

Latin America’s Risk Landscape: Turning Complexity into Competitive Advantage

As organizações latino-americanas enfrentam riscos convergentes. Aaquelas que reconsideram a resiliência têm a chance de desbloquear o seu crescimento e obter vantagem competitiva.

Principais conclusões
  1. A interrupção dos negócios e a falha da cadeia de suprimentos estão profundamente interconectadas e exigem planejamento proativo e integrado para mitigar os riscos em cascata.
  2. A volatilidade regulatória e as mudanças políticas estão remodelando o cenário operacional em toda a região, exigindo estratégias de conformidade ágeis.
  3. A gestão de riscos está evoluindo de uma necessidade para uma fonte de valor estratégico e vantagem competitiva.

O ambiente de negócios da América Latina é moldado por uma mistura de oportunidades e volatilidade. Embora a região possua vastos recursos naturais, um setor de tecnologia em crescimento e fronteiras agrícolas em expansão, ela também enfrenta desafios persistentes: fragilidade econômica, instabilidade política, vulnerabilidade climática e imprevisibilidade regulatória. O crescimento do PIB deve ficar em média acima de 2% em 2025 e 2026, mas o sentimento de investimento cauteloso e as pressões inflacionárias permanecem.

No entanto, em meio a essas incertezas, ainda existem oportunidades. As organizações que repensam sua abordagem ao risco – tratando a resiliência como um facilitador estratégico em vez de uma necessidade defensiva – podem se posicionar para prosperar. Ao entender a natureza interconectada dos riscos atuais e investir em novas estratégias, os líderes latino-americanos podem construir vantagem competitiva.

Como os líderes latino-americanos priorizam os principais riscos da atualidade

Os executivos latino-americanos estão navegando em um ambiente de risco excepcionalmente complexo, onde as pressões econômicas, políticas e ambientais se cruzam. A abordagem à priorização de riscos reflete as vulnerabilidades da região e seu potencial de crescimento, ao mesmo tempo em que os líderes buscam equilibrar os desafios operacionais imediatos com as oportunidades estratégicas de longo prazo.

Principais riscos atuais para a América Latina
  1. Interrupção de negócios
  2. Mudanças regulatórias ou legislativas
  3. Ataque cibernético ou violação de dados
  4. Risco de preço de commodities ou escassez de materiais
  5. Desaceleração econômica ou recuperação lenta
  6. Risco político
  7. Aumento da concorrência
  8. Fluxo de caixa ou risco de liquidez
  9. Falha na cadeia de suprimentos ou distribuição
  10. Clima ou desastres naturais
Interrupção de negócios e da cadeia de suprimentos

A interrupção dos negócios continua sendo o principal risco para as organizações em toda a América Latina, impulsionada pela exposição da região a choques geopolíticos, eventos relacionados ao clima e sua dependência de rotas comerciais globais e infraestrutura local vulnerável. Economias como Brasil, Argentina, Chile e México dependem fortemente das exportações – que vão desde produtos agrícolas e cobre até produtos manufaturados – tornando-as particularmente suscetíveis a falhas na cadeia de suprimentos.

Nos últimos anos, várias interrupções de alto perfil ressaltaram essa vulnerabilidade. Por exemplo, bloqueios e protestos no Peru interromperam repetidamente as operações de mineração e atrasaram os embarques de cobre e outros minerais, impactando as cadeias de suprimentos globais. No Brasil, o congestionamento portuário e as greves dos caminhoneiros causaram atrasos significativos na exportação de soja e outras commodities agrícolas. O setor manufatureiro do México sofreu interrupções devido a mudanças de políticas transfronteiriças e gargalos em passagens críticas de fronteira dos EUA, afetando setores como o automotivo e o eletrônico.

Essas interrupções não apenas resultam em perdas financeiras diretas, mas também corroem a confiança do cliente e prejudicam o relacionamento com os fornecedores. Em resposta, as empresas estão diversificando suas bases de fornecedores, investindo em tecnologias de visibilidade da cadeia de suprimentos e desenvolvendo planos robustos de continuidade de negócios para melhor resistir e se recuperar em caso de falhas no futuro. Muitos também estão explorando o seguro de interrupção de negócios contingente para se proteger contra eventos imprevistos, aumentando a resiliência operacional em uma região onde este risco é uma ameaça persistente.

Volatilidade regulatória e política: navegando pela incerteza

As mudanças regulatórias e legislativas, consistentemente identificadas entre os principais riscos para as organizações, estão diretamente associadas à volatilidade política estrutural da América Latina, configurando um ambiente de negócios marcado pela incerteza e pela necessidade de adaptação contínua. Os ciclos eleitorais frequentes, a alternância de modelos de desenvolvimento e a redefinição de prioridades públicas frequentemente se traduzem em ajustes recorrentes nos marcos fiscais, trabalhistas, sociais, ambientais e de conformidade, além de uma maior intervenção regulatória em setores considerados estratégicos.

A esse contexto soma-se um cenário geopolítico e comercial cada vez mais fragmentado, no qual as políticas comerciais das principais economias, a evolução de acordos internacionais e as tensões tarifárias impactam diretamente as decisões de investimento, comércio e localização de operações. Diante desse panorama, as organizações são levadas a revisar cadeias de suprimentos, reavaliar planos de investimento e operar sob um grau mais elevado de complexidade normativa.

Nesse ambiente, a resiliência deixa de ser apenas reativa e passa a ser uma capacidade estratégica. Antecipar mudanças regulatórias, integrar o risco político ao planejamento, fortalecer estruturas de conformidade e desenhar modelos de negócio mais flexíveis tornam-se fatores-chave não apenas para mitigar impactos, mas para sustentar a continuidade operacional e capturar oportunidades em contextos de transformação permanente.

O desafio da volatilidade dos preços das commodities

O risco do preço das commodities e a alta inflação são preocupações centrais para empresas e governos na América Latina, onde muitas economias dependem fortemente da exportação de recursos naturais. Países como Brasil (soja, minério de ferro), Chile (cobre), Venezuela (petróleo) e Argentina (soja, milho) dependem dessas commodities para obter receita fiscal e emprego. Essa dependência torna a região altamente sensível às flutuações globais de preços, que geralmente são impulsionadas por tensões geopolíticas, interrupções na cadeia de suprimentos e mudanças na demanda das principais economias.

Por exemplo, a guerra na Ucrânia levou a picos nos preços dos alimentos e da energia, enquanto as recentes quedas nos preços do petróleo, cobre e grãos reduziram drasticamente as receitas de exportação e as receitas do governo, forçando difíceis ajustes econômicos. Setores-chave como mineração, agricultura e energia estão particularmente expostos, com oscilações de preços afetando o investimento, as cadeias de suprimentos e a estabilidade financeira.

Para gerenciar essas exposições, as organizações estão investindo em ferramentas de visibilidade da cadeia de suprimentos e diversificando os mercados de exportação para reduzir a dependência de fornecedores únicos ou rotas comerciais vulneráveis. O monitoramento dos desenvolvimentos geopolíticos tornou-se crítico, pois as mudanças nos padrões de comércio global podem ter impactos imediatos nos mercados locais. Nos setores de agricultura e energia, as soluções de seguro paramétrico estão ganhando força, fornecendo pagamentos rápidos com base em gatilhos predefinidos, como chuvas ou temperaturas extremas.

Construindo resiliência a eventos climáticos extremos

A América Latina é uma das regiões mais vulneráveis ao clima do mundo, enfrentando uma cascata de eventos climáticos extremos que ameaçam economias, comunidades e indústrias-chave, por isso não é surpresa ver esses riscos bem classificados em nossa pesquisa. Nos últimos anos, a região sofreu furacões recordes, inundações catastróficas e secas prolongadas. Por exemplo, o Chile experimentou seus incêndios florestais mais mortais em mais de uma década, enquanto os estados do sul do Brasil sofreram inundações históricas que causaram bilhões em perdas econômicas e deslocaram milhares.

A agricultura, pedra angular de muitas economias latino-americanas, está particularmente exposta. As secas na Amazônia e no Pantanal levaram a quebras de safra e perdas de gado, interrompendo as cadeias de abastecimento de alimentos e elevando os preços. Na América Central e no Caribe, furacões e inundações danificaram repetidamente a infraestrutura e as casas, além de causar interrupções operacionais significativas para as empresas – forçando fechamentos, interrompendo cadeias de suprimentos e aumentando os custos de recuperação.

Em resposta, as organizações em toda a região estão priorizando investimentos em infraestrutura resiliente, sistemas de alerta precoce e modelagem climática para proteger ativos e operações. A adoção do seguro paramétrico está crescendo, proporcionando pagamentos rápidos após desastres. As empresas também estão incorporando o risco climático nas práticas de governança e divulgação, ao mesmo tempo em que fortalecem a recuperação de desastres e o planejamento de continuidade de negócios para minimizar a interrupção operacional e acelerar a recuperação quando ocorrem condições climáticas extremas.

38%

dos entrevistados latino-americanos sofreram perdas econômicas devido a um evento climático ou desastre natural nos 12 meses anteriores à pesquisa.

Fonte: Pesquisa Global de Gestão de Riscos da Aon

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A resiliência costumava ser sobre sobreviver à disrupção. Agora, trata-se de usar a disrupção para aprimorar sua vantagem competitiva. As organizações latino-americanas que repensam como gerenciam o risco são as que liderarão.

Natalia Char
Head of Commercial Risk Solutions, Latin America

Olhando para o futuro: os riscos futuros na mente dos líderes empresariais

Os líderes latino-americanos estão se preparando para um futuro moldado pela digitalização, mudanças climáticas e volatilidade do mercado. Os dez riscos que devem ser as principais preocupações até 2028 refletem essa mudança:

Principais riscos futuros para a América Latina
  1. Ataque cibernético ou violação de dados
  2. Aumento da concorrência
  3. Risco de preço de commodities ou escassez de materiais
  4. Mudanças regulatórias ou legislativas
  5. Interrupção de negócios
  6. Mudanças climáticas
  7. Risco político
  8. Desaceleração econômica ou recuperação lenta
  9. Fluxo de caixa ou risco de liquidez
  10. Inteligência artificial (IA)
Cibernético e IA: manejando a fronteira digital

O risco cibernético está subindo rapidamente na agenda das organizações latino-americanas, impulsionado pelo crescimento digital explosivo da região. O setor de tecnologia da América Latina está se expandindo mais rápido do que em quase qualquer outro lugar, com a crescente adoção de bancos digitais, fintechs e pelo comércio eletrônico gerando novas oportunidades econômicas. No entanto, essa rápida digitalização ultrapassou o investimento em segurança cibernética, deixando muitas organizações expostas. A região agora enfrenta algumas das maiores taxas de ataques cibernéticos do mundo, com incidentes frequentes nas manchetes de países como Brasil, México, Colômbia e Costa Rica.

Vários fatores agravam o desafio: regulamentações fragmentadas e em constante evolução, escassez de profissionais especializados em segurança cibernética e o uso generalizado de dispositivos pessoais para o trabalho aumentam a vulnerabilidade. A infraestrutura crítica – incluindo no governo, na saúde e nas comunicações – tornou-se um alvo frequente, com ataques que variam de ransomware a violações massivas de dados. Incidentes de alto perfil, como o ataque de ransomware que paralisou o governo da Costa Rica, destacam o potencial de ameaças cibernéticas perturbarem economias inteiras.

Para lidar com esses riscos, as empresas da região estão começando a incorporar a resiliência cibernética em suas estratégias de negócios. Isso inclui implementar a governança cibernética organizacional, investir em tecnologias avançadas de detecção e realizar treinamento regular de funcionários para combater phishing e engenharia social. Cada vez mais, as empresas também estão se voltando para o seguro cibernético e desenvolvendo planos robustos de resposta a incidentes.

A inteligência artificial está melhorando a segurança dos dados e a eficiência operacional, mas também apresenta novos riscos. De acordo com o FMI (2024), a América Latina geralmente está atrasada em relação a outras regiões na prontidão para IA, embora existam diferenças significativas entre os países. Para aproveitar o potencial da tecnologia e mitigar seus riscos, é essencial que as organizações invistam em talentos especializados, desenvolvam estruturas regulatórias claras e adotem padrões internacionais. 

15%

Apenas quinze por cento dos entrevistados latino-americanos disseram quantificar sua exposição ao risco cibernético.

Fonte: Pesquisa Global de Gestão de Riscos da Aon

Estratégias para navegar no cenário de risco da América Latina com confiança

As organizações latino-americanas devem adotar uma abordagem proativa e integrada do risco. As estratégias a seguir podem ajudar os líderes a gerenciar a complexidade e criar resiliência:

1. Aproveite dados e análises para decisões mais inteligentes

Use modelagem e análise avançadas para avaliar riscos, quantificar a exposição e informar a alocação de capital. Isso é especialmente crítico para gerenciar riscos sobrepostos, como o de interrupções cibernéticas e da cadeia de suprimentos.

2. Explore soluções inovadoras de transferência de risco

Feche as lacunas de proteção com seguro paramétrico, cativos e resseguro estruturado. Essas ferramentas oferecem flexibilidade e podem ser adaptadas a exposições específicas do setor.

3. Reformule o gerenciamento de riscos como um direcionador de valor

Tradicionalmente visto como uma função defensiva, o gerenciamento de riscos agora está emergindo como uma fonte de vantagem competitiva para as organizações latino-americanas. Ao incorporar considerações de risco na tomada de decisões estratégicas, as empresas podem identificar novas oportunidades de crescimento, aumentar a confiança das partes interessadas e melhorar a eficiência operacional.

4. Fortalecer a conformidade legal e regulatória

Dado o ambiente regulatório dinâmico e complexo na América Latina, as organizações devem priorizar o monitoramento contínuo das mudanças legais e garantir estruturas de compliance robustas. O gerenciamento proativo de riscos legais não apenas evita sanções e danos à reputação, mas também permite que as empresas se adaptem rapidamente a novos requisitos e mantenham a continuidade dos negócios.

5. Promova uma cultura de ética e transparência

Construir uma cultura enraizada na ética e na transparência é essencial para a resiliência a longo prazo. Essa abordagem aumenta a confiança das partes interessadas, apoia o crescimento sustentável e reduz a exposição a riscos operacionais e de reputação.

6. Promova a colaboração interdisciplinar

Incentive a colaboração entre as equipes jurídica, de conformidade, de risco, de tecnologia e operacional. Uma abordagem integrada permite que as organizações antecipem riscos emergentes, respondam efetivamente às mudanças regulatórias e aproveitem diversos conhecimentos para a tomada de decisões estratégicas.

17%

Apenas dezessete por cento dos entrevistados latino-americanos usam análises quantitativas para otimizar o valor de seu programa de seguros.

Fonte: Pesquisa Global de Gestão de Riscos da Aon

Por que é importante

Os líderes latino-americanos têm a oportunidade de transformar o risco em resiliência. Ao repensar sua abordagem e investir em novas estratégias, eles podem proteger suas organizações e abrir novos caminhos para o crescimento.

Download dos relatórios por país – América Latina

  • Argentina

    Explore os principais riscos de negócios que as organizações enfrentam e as medidas que estão adotando para gerenciá-los.

  • Brasil

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  • Chile

    Explore os principais riscos de negócios que as organizações enfrentam e as medidas que estão adotando para gerenciá-los.

  • Colômbia

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  • Equador

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  • México

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  • Peru

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  • Porto Rico

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  • Uruguai

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